Engenheiro trapaceiro e caloteiro

A minha obra era uma casa simples, de 149 m2. 

Com o lote oferecido por minha mãe e a minha parte da herança do meu avô, planejamos converter o seu legado no sonho da casa própria.    

Já tínhamos o projeto e contratamos como administrador o engenheiro Julio da Costa Andrade Júnior em fevereiro de 2022, com prazo de conclusão previsto para setembro/22 (140 dias úteis). 

Acreditando nas suas promessas e supostas referências, negociamos preço e prazo, assinamos contrato, pagamos a primeira parcela de entrada de R$ 9.402,00 e a obra teve início em 16/02/22.

Como eu me encontrava estudando fora de Brasília, combinamos que ele deveria enviar imagens diárias, mostrando o andamento da obra. Porém, logo nas primeiras semanas, essas imagens já não vinham. Questionávamos isso, mas ele, com muita maestria na arte da enganação, eventualmente mostrando um pequeno detalhe ou outro, ele acabou nos fazendo acreditar que a obra estava evoluindo.

Assim, todas as sextas feiras a parcela semanal de R$ 3.358,00 era religiosamente e insistentemente cobrada. Não podíamos atrasar um único dia sequer (assim como nunca atrasamos),m que ele mudava o tom e insinuava consequências críticas na obra ou retaliações, do tipo que teria que abandonar para assumir outras obras.

Com a proximidade da data prevista para a conclusão, fizemos uma visita de avaliação e constatamos que ele não terminaria no prazo. Contudo, devido à minha inexperiência e uma vez que eu necessitava me mudar para a casa com minha família, me sujeitei à lábia astuta desse suposto administrador, cedi e flexibilizei o prazo para novembro.

Entretanto, veio novembro, dezembro, janeiro... e nada!

Quando acordamos para o golpe, já havíamos pago 14 semanas a mais do que previa o contrato, além de uma várias transferências extras solicitadas aleatoriamente por ele, totalizando ao longo de todo esse tempo R$ 221.351,00, sendo que o valor total do contrato assinado era R$ 117.530,00! Isso demonstrava que ele já havia levado R$ 103.821,00 a mais do que aquilo de direito contratual.

E nada da casa ficar pronta! Pelo contrário, a obra vinha praticamente abandonada desde outubro ou novembro, como soubemos mais tarde. Neste período, ele simplesmente mantinha um ou outro suposto pedreiro na obra, apenas para iludir e fingir que trabalhavam e, assim, poder continuar pedindo dinheiro semanalmente.

Dentre todas as demandas de transferências financeiras dele, incluía uma situação armada para nos levar antecipadamente R$ 14.103,60, que deveriam ser pagos após a entrega das chaves da casa pronta. Previamente determinado ao não realizar, tampouco concluir a obra, ele arquitetou antecipadamente uma suposta situação jurídica grave, alegando que se não dispusesse daquele valor urgentemente, poderia ser preso e não poderia concluir a casa. Mais tarde, descobrimos que não passava de mera artimanha para nos ludibriar e levar nosso dinheiro, já que não haveria a a conclusão da obra. 

Se aproveitando que eu me encontrava fora e se aproveitando do fato de sermos mulher, minha mãe e eu, e que meu marido, em compromissos fora, também estaria quase sempre impossibilitado de acompanhar a construção, ele se ocupava de armar situações, mentir e nos ludibriar, a fim de levar o nosso dinheiro, enquanto a obra permaneceu praticamente abandonada, conforme constatamos depois.

Como estava previsto, eu teria que retornar para Brasília em outubro/22, com tudo planejado para me mudar para a casa nova. Mas como ele não acabou a obra, tive que me endividar com aluguéis para mim e para minha mãe.

Além se ocupar prioritariamente em levar o nosso dinheiro e não se estar conduzindo a obra segundo o cronograma, ele ainda vinha cometendo diversos deslizes, tais como a utilização de materiais inferiores, diferentes daqueles que havíamos comprado. Isso foi constatado depois, quando percebemos que a tinta usada não era lavável e soltava com o simples toque das mãos, assim como o reboco, que se esfarelava, só de passar a mão sobre a parede.

Em março de 2023, portanto 7 (sete) meses depois de exaurido o prazo de entrega da casa, por não ter mais recursos para a subsistência, não tive como evitar e me mudei para aquele "canteiro de obra" com minha família, incluindo minha filha de 4 anos e meu bebê recém nascido, com dois meses de vida, que passou a ter diversos problemas de saúde, em consequência da poeira, dos restos de material e de tinta, amontoados e espalhados.

Sem contar que o fluxo de água na maioria das torneiras e chuveiros era apenas filetes de água, muitas vezes em gotas, insuficientes para qualquer tipo de uso, além de todas as torneiras vazando, danificando os armários.

Na maioria dos pontos não havia energia elétrica, os dutos para entrada de cabos de TV e Internet ou estavam obstruídos ou simplesmente não existiam, todas as paredes internas apresentavam graves infiltrações, soltando a tinta e o reboco, os boxes de banheiro e todas as áreas úmidas acumulando água no lado oposto dos ralos de esgoto, chegando ao cúmulo de a águam empoçada sair por cima do trilho do box do banheiro, sem contar dezenas de sacos de tinta e massa corrida entulhada dentro de casa, com os sacos e embalagens vazando - um verdadeiro caos (vejam imagem da situação da obra nessa ocasião).

Quando chegamos para a casa, nos deparamos com mais uma lamentável surpresa, decorrente da negligência e da incompetência do suposto engenheiro, senhor Julio: Fomos informados pelos arquitetos do condomínio que havia uma série de detalhes em desacordo com as normas de engenharia, assim como fora dos parâmetros exigidos pelo condomínio. 

Dentre as diversas inconsistências técnicas, a mais grave seriam a ausência de um pergolado (ou garagem), que constava no projeto, mas não havia sequer sido iniciado. Para evitarmos uma multa diária absurda, contratamos às pressas o suposto engenheiro Julio para desenhar o projeto para adequar às normas e, também, levá-lo aos órgãos técnicos para adequar o alvará. 

Na pressa, pagamos antecipadamente o valor cobrado pelo senhor Julio. Enquanto isso, contratamos por fora um serralheiro para construir. Isso foi em fevereiro de 2023. O serralheiro acabou a construção sem projeto, passaram-se 8 meses e o senhor Julio nunca mais nos deu nenhuma satisfação sobre o projeto para o qual recebeu antecipadamente. 

Com toda tolerância e buscando uma solução que amenizasse o trauma e os prejuízos sofridos por mim e por minha família, começamos a tentar negociar com o senhor Julio, para que ele, mesmo com a minha família em casa, se dispusesse a cumprir os seus compromissos, para os quais já havia recebido e que tentasse concluir, pelo menos, as partes mais críticas da casa. 

Assim, permanecemos no meio desse caos, à espera dele, por mais de 4 (quatro) meses, enquanto ele simplesmente mentia e nos enrolava, até que não foi mais possível suportar e tive que me mudar para outra cidade.

Agora, passado UM ANO depois que o prazo contratual dele se esgotou, estamos tentando judicialmente reaver o dinheiro que ele nos levou, bem como algum ressarcimento mínimo pelos danos que sofri e continuo sofrendo com minha família.

Calculando por alto, ainda que não tenhamos conseguido uma avaliação técnica, já somamos como prejuízo os R$ 103.821,00 pagos além do contrato, sem contrapartida na obra, além do fato de que outro construtos estima um custo R$86.000,00 para concluir o que o senhor Júlio não fez, além de diversos outros prejuízos e danos que ainda serão apurados, totalizando até agora R$ 189.8221,00, apropriados indevidamente por ele. Esperamos que a justiça se faça valer, para nos resguardar, pelo menos, as condições para deixarmos a casa habitável.




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